“Quantos de nós quereriam viver não a vida
mas o filme, quando a vida não é vida
e não se morre na morte e o que finda
não apodrece porque logo é outro set.”
“Quantos de nós quereriam viver não a vida
mas o filme, quando a vida não é vida
e não se morre na morte e o que finda
não apodrece porque logo é outro set.”
Gostar de você soa bonito?
Soa, mas também tem os atritos
os quebra-paus infinitos
conflitos.
Também tem uns gritos.
“Toda dança é a substituição do sexo.”
Se o corpo é meu, por que só o encontro inteiramente no teu?
“- Pode alguém, no Brasil, se sustentar exclusivamente com a escrita?
– Os tabeliães estão aí…”
“Agora muitas mães estão vestindo suas filhas como ‘periguetes’. A garotada gosta de aderir ao personagem principalmente porque papéis com esse estilo, em novelas, têm tido bastante destaque e seduzido a criançada. Pudera: corpo à mostra, expressão corporal exagerada, voz demasiadamente alta têm tudo a ver com criança, não é verdade? O que as crianças desconhecem é o caráter extremamente erotizado dessa fantasia que elas andam vestindo. Claro que, para as crianças, é apenas o chamado ‘look periguete’ que importa e não o comportamento de mulheres adultas que assim se reconhecem. Mas precisamos entender que erotismo é coisa de gente grande para gente grande. Agora, como se não bastasse travestir crianças pequenas como ‘periguetes’, muitos pais também as levam a ‘baladinhas’ com direito a DJ, muita dança, muita gente, pouca iluminação etc. Igualzinho ao que acontece no mundo adulto. Enlouquecemos ou o quê? Com a expectativa de vida em torno dos 75 anos, por que não deixamos nossas crianças em paz para que possam viver sua infância? Afinal, depois de crescidas, elas terão muito tempo para fazer o que é característico do mundo adulto. Adiantar por quê? Para nossa diversão e para satisfazer nossos caprichos, só pode ser.”
Não seria incrível se inventassem uma cirurgia de redução do ego?
Hoje pela manhã, a faxineira descobriu o quadro novo que chegou à minha casa há uma semana e que permanecia encostado num sofá.
– Bonito, hein?, comentou. O mais bonito que você já arranjou. Comprou, foi?
– Não, Ana, ganhei da própria artista.
– Ganhou da moça que fez? Puxa… Diga à moça que ela está de parabéns. Muito lindo o quadro. A moldura é coisa fina, viu?
– Você gostou mais da moldura que do desenho?
– Oxê, gostei dos dois! Se bem que a moldura impressiona. Deixa o quadro importante.
– E o que você enxerga quando observa o desenho?
– Rapaz, não sou boa nessas adivinhações, não.
– Como não? Qualquer um pode dizer o que enxerga num desenho.
– Pode mesmo ? Então enxergo uma árvore.
– Árvore?
– É. Olhe os galhos secos, saindo das raízes.
– Eu enxergo um par de mãos.
– Talvez… Mas, para mim, é uma árvore, como as da minha terra.
– Não acha a imagem meio triste?
– E você, por acaso, liga para isso? Neste apartamento, só tem quadro triste!
– Só?
– Sim, tudo triste… Não vá rejeitar o quadro da moça apenas porque lhe parece triste. Ela deu de coração…
– Eu sei.
– Que tal botar o quadro ali, na parede vermelha? Assim a gente abafa um pouco a tristeza.
Sem esperar a resposta, Ana pegou a tela e a pendurou na parede vermelha.
– Deixe aqui por uns dias. Você verá que a tristeza logo esmorece. Agora, com licença: vou tomar uma daquelas cervejinhas estrangeiras que você colocou na geladeira. Pensa que não reparei, é?
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